Psicologia e tecnologia se unem para amenizar crise e crescer com ela

Por Marcio Roberto

Como duas ciências distintas podem contribuir para superar as adversidades atuais

O planeta clama por uma vacina do coronavírus. Mas ainda vai demorar um pouco a imunização das pessoas e, enquanto isso, o combate a pandemia do coronavírus está também no comportamento humano. 

As ações individuais podem fazer toda a diferença na diminuição no número de infectados. Por isso, a mídia lança toneladas de bits de informações a respeito da evolução da doença em todo o mundo. 

Ensina como a população deve se comportar nesse período epidêmico, pois através da educação popular, novos hábitos podem ser incorporados para evitar a propagação da doença. As medidas sanitárias fazem toda a diferença. 

Essa parceria – informação na palma da mão mais educação popular – podem ajudar decisivamente no combate ao Covid-19. Na realidade, é um casamento que tem tudo para ter um final feliz.  

Hoje, duas ciências diferentes se unem para melhorar aspectos considerados fundamentais no século 21:  a condição emocional e profissional de cada indivíduo nesses duros tempos.   

A epidemia do Covid-19 segue causando estragos pelo mundo afora. Só no Brasil, mais de 50 mil mortos e ultrapassamos a marca de um milhão de infectados em três meses desde o início do primeiro contágio. 

As consequências econômicas da doença são visíveis com o engrosso de pessoas na fila do desemprego, o que adiciona mais um problema a ser superado. O fato de estar fora do mercado de trabalho revela outros problemas.

Pesquisas apontam que desde o início do confinamento, em praticamente todo o país,  foi verificado um aumento no número de pessoas com distúrbios de ansiedade, entre outras desordens neuróticas que consomem, em boa parte, o bem estar do indivíduo. 

Startups e muita tecnologia para aliviar o estresse

Pesquisas indicam o uso maior de recursos virtuais desde que começou o período de quarentena no país. Seja no smartphone ou no PC, as pessoas têm buscado ajuda para amenizar o impacto do medo de contrair o vírus e os problemas financeiros trazidos pelo confinamento social. 

Muitas das plataformas foram criadas a partir dos dados que revelam muitos problemas emocionais durante esse período de isolamento. Uma delas é a Sala 302, que é um espaço virtual onde o psicólogo pode atender o paciente por vídeo-chamada. Ao custo de R$ 50 reais mensais, o profissional da saúde mental trabalha com uma ferramenta que vem agregando cada vez mais pessoas que queiram um respiro em meio a crise atual.

Essa mesma modalidade tem sido seguida pelo projeto “Momento Covid”, coordenado pela psicóloga Laura Coutinho, em que através da colaboração voluntária de psicólogos, psiquiatras e psicanalistas trabalham com o suporte terapêutico aos indivíduos que passam por momentos ruins e cujo impacto emocional transforma as finanças pessoais no caos. Assim como a startup Sala 302, o projeto de Laura disponibiliza atendimentos online por vídeo-chamada.

Não apenas os profissionais da saúde mental estão a disposição nestes tempos difíceis. O contato com os amigos, parentes e até mesmo o trabalho remoto são formas de se ocupar para evitar os noticiários que bombam todos os dias sobre a pandemia, algo importante, de acordo com especialistas, para atenuar a ansiedade outros distúrbios que se manifestam atualmente. A ponte disso tudo, claro, é a tecnologia.

Aliás, o Covid-19, por outro lado, criou inúmeras vagas de oportunidades de emprego na área tecnológica e até suscitou uma polêmica envolvendo dados fornecidos pelo Governo Federal, quando este recentemente passou a omitir o número de mortos no país. Há empresas e startups que se dedicam a isso atualmente, fornecendo informações importantes para alimentar o planejamento estratégico dos negócios. 

Afinal, através dos dados de fácil acesso ao público, as empresas podem se antecipar a tendências e melhorar sua gestão financeira e administrativa.

Isso tudo interessa, principalmente, aos departamentos de Recursos Humanos das empresas, que podem fazer previsões a partir de dados sobre como contratar, para que contratar e demitir a medida que os planos internos são montados a partir do que ocorre com o país. Os psicólogos que trabalham no RH já tem em mãos plataformas modernas de tecnologia que ajudam a todo o processo de gestão, processo de seleção e recrutamento.

Finalmente, com a internet e a tecnologia, abriu-se um espaço para que se trabalhasse o lado humano nas empresas, então as organizações ganharam força, já que entenderam que a construção de relacionamentos humanos gera muito mais frutos para quem investe nisso. E, se pararmos para pensar, faz bastante sentido empresas de tecnologia serem organizações voltadas também para o desenvolvimento do lado humano dos profissionais, ou seja, atentas às soft skills de seus colaboradores e candidatos.