HBO mostra na tela perigos virtuais que ameaçam a lisura de eleições: o que o Brasil tem a aprender sobre isso

Por Roberto Marcio

O Brasil respira ares eleitorais. No dia 15 de novembro, o país escolhe prefeitos e vereadores em mais de quatro mil municípios em um processo democrático que requer muita atenção por parte de todos – desde o eleitor até o governo -, porque diferente de outros anos, as atenções estarão voltadas para a lisura do pleito, e isto passa necessariamente pelas Fake News até possíveis ataques virtuais que podem comprometer a transparência de um dos mais modernos sistemas eleitorais do mundo. Um documentário lançado pela HBO joga uma luz no que ocorre nos Estados Unidos – nação que vai escolher o chefe do executivo no dia 3 de novembro. 

O Brasil se tornou um dos primeiros países do mundo a adotar a urna eletrônica, um sistema que de acordo com o Governo Federal é considerado muito seguro. Ok, todos nós acreditamos na garantia dada pelos políticos de Brasília quanto a esta declaração. No entanto, como em qualquer sistema que envolva informação em rede, é impossível assegurar 100 por cento que haja algum ataque cibernético, embora até hoje não tenha sido registrado nenhum incidente dessa natureza. O Brasil se diz preparado para repelir qualquer ameaça que venha a prejudicar o processo eleitoral, mas quando damos um olhar pelo que acontece mundo afora, seguramente é importante estar em alerta máximo.




Por isso, vale a pena conferir A Arma Perfeita: Guerra, Sabotagem e Medo na Era Cibernética, de David E. Sanger (The Perfect Weapon: War, Sabotage, And Fear In The Cyber Age), um documentário, assim como os filmes de não ficção que fazem parte do cronograma na HBO e na HBO GO. É um exemplo clássico de uma guerra que se tornou uma realidade a partir de 2007. Chega a ser chocante a ousadia de criminosos virtuais – ou até mesmo governos interessados em desestabilizar seu inimigo – em suas atividades que geram prejuízos enormes na democracia e na lisura do processo eleitoral de nações. É uma guerra sem disparar um único tiro, tornando realidade o que foi escrito por Sun Tzu, no clássico livro “ A Arte da Guerra”, em que preconiza que a vitória suprema é derrotar seu inimigo sem disparar um único tiro. 

A estreia do documentário é uma intrigante narrativa sobre ataques virtuais baseada num livro e explora o surgimento do conflito cibernético como a principal estratégia na competição e sabotagem entre nações. Com o aumento da insegurança em potenciais ameaças digitais nas eleições norte-americanas de 2020, a produção original da HBO contará com entrevistas exclusivas com políticos, oficiais militares e de inteligência para oferecer uma visão ampla sobre estes novos pontos de vulnerabilidade durante as eleições presidenciais.

O longa-metragem também aborda como o governo dos EUA está lutando para se defender deste risco silencioso, ao mesmo tempo em que abriga e emprega o arsenal cibernético mais poderoso do mundo. Vale lembrar que na eleição que culminou na vitória de Donald Trump, em 2016, foi cercada de muitas acusações sobre supostas fraudes e até intervenção dos russos para beneficiar um dos candidatos. Se por um lado a então candidata pelo partido Democrata acusou Trump de ser ajudado pelo país governado por Wladimir Putin, por outro insinuaram que o magnata da comunicação, Robert Mercer – único doador republicado nesta eleição – deu uma mãozinha para os republicanos.

Na esteira de documentários sobre o tema, a HBO lançou o polêmico filme Brexit feito em parceria ao Channel 4, BBC Studios e House Productions. Em 92 minutos, o diretor Toby Haynes tenta esclarecer o que significa o processo de saída do Reino Unido da União Europeia –mesmo que, até agora, o assunto não tenha tido um fim. O roteiro é centrado no papel de Dominic Cummings, o marqueteiro acusado de manipular redes sociais para a vitória do Vote Leave –campanha favorável à saída britânica da UE.

O que o documentário e telefilme podem ensinar ao sistema brasileiro?

Tal como  A Arma Perfeita: Guerra, Sabotagem e Medo na Era Cibernética, ao que parece ninguém está imune a manipulação e o jogo sujo eleitoral que compromete muitos aspectos que envolvem todo o processo eleitoral e até mesmo a democracia como uma identidade nacional. Com o Brasil, há denúncias de que a escolha que culminou na vitória de Jair Bolsonaro teria tido influência virtual nos eleitores, fato este ainda não julgado pela justiça brasileira. Aliás, no caso tupiniquim, o enredo teria mais a ver com o que aconteceu com o Brexit do que na questão americana.

No mês que vem, milhões de brasileiros vão às urnas para escolher novos governantes e o perigo cibernético é alvo tanto para eleitores quanto aos candidatos. Por isso, o monitoramento constante, sobretudo para os postulantes a cargos públicos, é fundamental para evitar a proliferação de dados mentirosos que ponham em risco a credibilidade desse ou daquele concorrente. É preciso estar atento a tudo, porque um descuido de campanha pode jogar por água abaixo todo um trabalho honesto e assertivo para convencer as pessoas que tem a melhor proposta. 

Mas como os candidatos podem fazer esse monitoramento e quais são os recursos para se defender das Fake News e tudo mais? Com as peças adequadas, um clipping moderno, é possível identificar a origem de uma notícia falsa ou difamatória a partir do momento que cair na rede. De imediato, a assessoria pode criar meios de neutralizar a ameaça com a comunicação do candidato, trazendo luz à agressividade virtual que tem se tornado cada vez mais pesada. É de concordância de todos que a arena passou a ser o campo de batalha na conquista de mentes e corações, mas há perigo no horizonte que precisa ser combatido. 

Saiba mais: https://www.hbolapress.com/programming/view/471#assetshttps://go.crowdstrike.com/crowdstrike-global-threat-report-2020-pt.html?utm_campaign=globalthreatreport&utm_content=latam&utm_medium=sem&utm_source=goog&utm_term=%2Bguerra%20%2Bcibern%C3%A9tica&gclid=CjwKCAjw_sn8BRBrEiwAnUGJDkijK7ZUYMUtV9RXXMT4NQivDz15xuGbfKU_CczAKkvHmxkfXhFaghoCR6YQAvD_BwE, https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Pelo-Mundo/Interferencia-russa-nas-eleicoes-Trump-quer-calar-a-comunidade-de-inteligencia/6/48418

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