Blitzscaling: futuro chegou para mudar os negócios no mundo

Por Roberto Marcio

O impacto das startups no mundo dos negócios vai além dos lucros. A repercussão em diferentes segmentos econômicos provocou um verdadeiro terremoto por um lado, pois passou a competir contra serviços mais tradicionais, mas por outro, criou um modelo novo que alterou a percepção de como se deve criar e administrar um empreendimento disruptivo. Apresento a vocês o Blitzscaling, uma expressão que deverá fazer parte do vocabulário de muitas empresas e impulsionará a inovação na economia.

Para compreendermos como esse conceito chegou ao mercado, é preciso falar sobre quem o criou. Reid Hoffman é um dos fundadores do LinkedIn. Atualmente, também faz parte do conselho da Microsoft. Ele é bastante conhecido por ser um dos primeiros funcionários do PayPal e seu nome está na lista dos bilionários da Forbes. O sucesso obtido com a criação de uma rede social voltada para o mercado de emprego/ trabalho deu tão certo que serviu de modelo para o surgimento de outros empreendedores que conquistaram o mundo. 




O termo foi inspirado no  modelo de combate dos alemães na Segunda Guerra Mundial (1939/1945) chamado Blitzkrieg, a “guerra relâmpago”, que consistia em ataques rápidos e mortais em um curto espaço de tempo. Assim, o Blitzscaling se traduz em uma estratégia agressiva e organizada para se estabelecer no mercado. É um exemplo de crescimento de muito sucesso devido, claro, aos resultados das empresas que utilizaram o método. 

Sucesso é visto por todos como uma inspiração para os negócios 

Cases de sucesso como Airbnb e Waze certamente atraem muitos empreendedores e têm muito a ensinar. Outras empresas que começaram como startup e se transformaram em belos negócios mudaram a forma de como se aplica a gestão tanto internamente como também no cenário externo, garantindo lucros exorbitantes com produtos inovadores que ganharam o público.

No Brasil, um dos modelos que caiu no gosto popular é o Uber, que ocupou um espaço importante no transporte particular público que, ao mesmo tempo, matou dois coelhos com uma cajadada só: oferece um serviço mais barato que seu principal concorrente e cria uma alternativa para quem deseja trabalhar como motorista. 

Embora o impacto na mobilidade pública e as críticas de modelos semelhantes sejam dirigidos ao sistema implementado pela startup, é fato que a população aderiu ao aplicativo que movimenta milhões diariamente e só cresce atualmente, ainda que tenham surgido modelos que copiaram e passaram a competição pelos usuários de transporte cada vez maior.

IFood, o aplicativo que nasceu de uma startup e que caiu no gosto popular no Brasil

Existe uma dúvida que persiste entre os empreendedores se é possível a implementação do blitzscaling nesses tempos da pandemia do coronavírus. A resposta é bem clara: sim. Não só é possível como também as gigantes, que nasceram startup, lucram muito dinheiro neste período em que a humanidade ainda luta contra a pandemia. 

Usando um exemplo do Brasil, em março vários governos estaduais e municipais implementaram a quarentena por todo o país, obrigando o funcionamento de apenas poucos setores da economia, entre elas a de alimentação e remédios. Várias delas conseguiram superar as adversidades e trataram de ocupar um espaço no mercado, gerando divisas e empregos mesmo com os sinais da economia serem negativos durante o período.

Na indústria dos alimentos, um dos que mais faturaram durante o período da pandemia foi o iFood, que virou moda. O aplicativo teve um crescimento rápido. Criado em 2011, o app é referência em delivery de comida no Brasil, chegou a outros países, entre eles Colômbia, Argentina e México em 2016 e, hoje, é a maior plataforma de delivery de comida da América Latina. Não é difícil imaginar que com a internacionalização sua participação de mercado cresça ainda mais. 

O aplicativo projeta um crescimento ainda maior para os próximos anos, mesmo com o fim da pandemia. É prático, moderno e fácil de usar. Em sua propaganda na TV, utiliza como personagem principal uma senhora que inclui na narrativa as facilidades do uso do IFood mesmo por pessoas da terceira idade. 

O método é realmente eficiente? Sim, e existem “testemunhas” que comprovam sua eficácia

É esse potencial de crescimento massivo e agressivo em um curto período de tempo, aliado à gestão de riscos e à intensidade dos esforços investidos, que fazem com que o blitzscaling esteja mudando drasticamente a forma com que muitas empresas fazem sua gestão.

Blitzscaling não se trata apenas como um conceito de “crescer rápido”. Ele é uma metodologia de crescimento comprovado que prioriza a velocidade em relação à eficiência diante das incertezas. E é isso que empresas como Amazon, Facebook, TikTok e até mesmo Nubank usaram para virar o jogo em seus negócios. 

Aprender este método pode ajudar tanto pequenas empresas a expandir seus negócios quanto grandes corporações a obterem crescimento e domínio de mercado diante das concorrentes. 

A aplicação da Blitzscaling na prática para seu negócio

Agora você vai conferir como se dá as etapas de implementação do Blitzscaling, como ele se dá até a consolidação como um sistema de gestão empresarial eficiente, de acordo com o Rockcontent: 

Família

O estágio da família é a definição do negócio. Aqui, o foco deve estar totalmente no produto ou serviço. Neste momento, não pense muito na concorrência.  Afinal, se você ainda não tem um negócio, não tem concorrentes!

Pense na solução que o seu produto ou serviço vai oferecer para os clientes. Realmente é algo necessário? Como você pode deixá-lo atraente e diferenciado?

Nesse estágio, também é importante definir o papel de cada um dos fundadores e você já deve contratar os primeiros funcionários, principalmente com o perfil generalista, porque cada um vai ter que fazer de tudo um pouco!

Não se esqueça de ter uma gestão enxuta até para não inflar cedo os custos da empresa.

Tribo

Na segunda fase, a tribo, você precisa crescer rápido! As decisões devem ser tomadas com velocidade. O produto deve ser ajustado com os consumidores atuais, analisando os feedbacks.

Outro ponto fundamental da tribo é que você precisa ter segurança econômica para sustentar seus crescimento.

Sua ideia já foi apresentada no mercado, concorrentes já estão de olho e podem replicar seu produto. Por isso, é necessário financiar seu crescimento.

Aumente sua equipe com mão de obra operacional para que os desenvolvedores possam focar apenas no produto. Nas estratégias de marketing e vendas, estimule o boca a boca, a indicação e as ações virais.

Vila

Na fase da vila o foco é escalar! Você deve tomar decisões para formar sua equipe. Os profissionais precisam ser dedicados e muito bons naquilo que fazem.

Pergunte-se, por exemplo, se as pessoas que entraram nas fases anteriores são capazes de suportar o crescimento agora. Se a resposta for não, mudanças são necessárias.

Nesse estágio, a sua empresa também já tem uma cultura e seus colaboradores precisam ter sintonia com ela.

Cidade

Quando sua empresa chegar nesse estágio, já tem um bom corpo de colaboradores. Agora, é hora de criar ferramentas e mecanismos de controle dos indicadores.

Se você tem uma agência, por exemplo, é importante acompanhar os principais indicadores de desempenho para validar ou não as estratégias. Isso vai melhorar a gestão da agência.

Assim, invista em dashboards, busque eficiência na administração dos recursos e crie processos, mas tome cuidado para não burocratizar sua empresa, pois isso pode atrasar o crescimento.

Uma boa opção é buscar ferramentas de automação de processos de gestão, porque isso vai ajudar na produtividade e confiança nos números.

Na fase da cidade a sua empresa também já deve contar com mais de um produto ou serviço, expandindo a fonte de receita.

Aqui também é o início da internacionalização dos negócios, que começam a enxergar o mercado externo como uma boa oportunidade.

Nação

Por fim, o último estágio é o de nação. Aqui, o grande desafio é manter a comunicação alinhada, mesmo com colaboradores espalhados em diversos cantos do mundo.

Nessa fase o CEO também ganha outras funções. Na verdade, agora ele deve se concentrar em apenas 3 pontos:

  1. estratégia;
  2. perpetuar a cultura da empresa e garantir que isso está sendo difundido com todos;
  3. selecionar gestores seniores para a empresa.

Essas funções têm um bom propósito: o CEO agora não deve ficar somente resolvendo os problemas, mesmo aqueles mais importantes.

A gestão empresarial agora é muito valorizada. Sua função é treinar pessoas para solucionar essas questões, assim você consegue escalar e não depender de apenas um indivíduo.

Um desafio ao CEO é dar autonomia aos gestores. Ele pode definir as estratégias macro, como um orçamento para o setor de marketing, mas são os responsáveis pelo setor quem realmente definirão as estratégias técnicas.

Saiba mais: https://www.xerpa.com.br/blog/blitzscaling/, https://blog.me.com.br/blitzscaling/, https://rockcontent.com/br/blog/blitzscaling/