Índice ESG: Por que essa tendência pode ser o novo “nada consta” das empresas?

Por Roberta Muller

A sociedade começou a impor e, aos poucos, as empresas começaram a entender a necessidade da criação de diretorias voltadas especificamente para iniciativas ESG (Environmental, Social and Governance ou meio ambiente, social e governança).

O índice se refere às melhores práticas ambientais, sociais e de governança de um negócio. E já se tornou também um indicador de critérios para investimentos.

O termo nunca esteve tão em alta e é apontado pelo mercado como uma das principais tendências não só para este ano, como para os anos seguintes.

Para que você tenha uma ideia, só em maio de 2021 foram quase 50 mil buscas feitas pelo tema “ESG” no Google.

Isso porque, à medida que as mudanças climáticas e sociais continuam a ter um impacto nos mercados, finanças sustentáveis estão se tornando componentes críticos para a tomada de decisões financeiras.

Por isso, ESG também já se tornou um critério de peso para investidores do mundo todo. 

A tendência é que, cada vez mais, as próprias empresas se preocupem em pesquisar o score ESG dos seus parceiros e fornecedores. Isso gera um grande “background check” no mundo dos dados públicos.

Especialistas acreditam que o ESG esteja se tornando um no novo “nada consta” das empresas ou até mesmo mais uma “certidão negativa” de que a companhia está aderente às boas práticas, principalmente em relação à Governança e à LGPD – Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (Lei nº 13.709/2018), ou seja, o famoso compliance corporativo.

Para que você entenda a importância da responsabilidade ESG, em primeiro lugar você precisa saber exatamente o que é ESG.

Continua por aqui para entender:

  • • Qual o significado de ESG
  • • Porque ESG é uma das principais tendências para os próximos anos
  • • Sobre a governança como chave para estruturar modelo sustentável
  • • Adesão à LGPD reforça Governança
  • • Como tornar uma empresa ESG

Qual o significado de ESG?

A sigla ESG significa Environmental, Social and Corporate Governance, na tradução Meio ambiente, Social e Governança. Se refere aos três principais fatores para avaliar a sustentabilidade e o desempenho financeiro potencial de uma empresa.

Ou seja, é um dado que mede alguns ativos intangíveis, e como o nome já diz, envolvendo as práticas sociais, ambientais e de governança.

O termo ESG é usado para identificar as práticas empresariais e de investimento que se preocupam não só com o lucro, mas com critérios de sustentabilidade.

Podemos dizer que ESG é uma métrica que norteia boas práticas de negócios. 

Por exemplo, através desta métrica podemos observar impactos como as emissões de carbono ou a gestão dos resíduos e rejeitos causados por determinada atividade. 

Além disso, também pode envolver questões trabalhistas e a correta adequação à LGPD – Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (Lei nº 13.709/2018), que vamos falar mais abaixo.

(176) O que é ESG e como afeta o mundo dos investimentos – YouTube

ESG: por que essa é uma das principais tendências para os próximos anos?

Com a crise climática iminente, investidores já perceberam que para empresas sobreviverem, os negócios dependem da continuidade da espécie humana. E analisam relatórios e as estratégias de ESG adotadas para escolher qual o direcionamento de seus aportes. 

Há cobranças, inclusive, por parte de acionistas e fundos de investimento, em cima de grandes corporações que têm suas ações listadas em bolsas de valores, por práticas que garantem a sobrevivência dessas empresas a longo prazo.

Já há algum tempo, CEOs e especialistas do mercado financeiro vêm enfatizando que a continuidade das empresas depende da adoção de pressupostos ESG.

E é por isso que investidores passaram a aumentar a cobrança em cima dessas práticas. Grandes instituições têm interesse na rentabilidade das empresas nas quais são acionistas. 

Vale lembrar que a captação líquida dos fundos ESG em todo o mundo foi de US$ 95 bilhões no primeiro semestre de 2021, de acordo com o relatório do Credit Suisse, que mostrou que a Europa é a líder disparada nos investimentos ESG. 

Governança é chave para estruturar modelo sustentável

Dos três pilares ESG, a Governança é um dos principais índices, mas muitas vezes ainda é deixado em segundo plano, embora ele seja o mais simples de ser alcançado.

É fundamental que as empresas aprendam e apliquem esse conceito para manter a competitividade e o alinhamento com o seu público. 

A governança incorpora os outros pilares do ESG e estrutura um modelo verdadeiramente sustentável e de acordo com o que a sociedade vem cobrando.

Você já deve ter reparado que as pessoas estão cada vez mais exigentes e atentas para saber se as empresas estão usando informações confidenciais de forma correta, ou seja, se estão agindo em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), e esse é um dos pontos primordiais em relação a governança.

Pessoas socialmente responsáveis, e isso inclui investidores e consumidores finais, passaram a confiar apenas em empresas que protegem os dados dos titulares, e não apenas de hackers. Evitando o uso abusivo em práticas corporativas não só ultrapassadas, como também ilegais.

Adesão à LGPD reforça Governança

Tópicos relacionados com a proteção de dados e a privacidade estão impondo que as empresas tomem uma série de medidas para que não ocorram problemas ou irregularidades com o uso indevido de dados pessoais.

Esse tipo de complicação vem crescendo na mesma proporção da transformação digital e o uso das tecnologias e da inteligência artificial. 

A LGPD, Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) nº 13.709, foi aprovada em 2018 com esse objetivo de promover a proteção aos dados pessoais de todo cidadão que esteja no Brasil, mesmo que a sede da organização ou centro de dados não estejam localizados no país.

Ou seja, se há coleta, processamento, armazenamento e outras formas consideradas tratamentos de dados pessoais de pessoas que estão no Brasil, a lei deve ser cumprida.

E é por isso que especialistas observam que um dos pontos primordiais em relação a governança é a adequação na LGPD. 

A lei traz garantias ao cidadão em relação aos seus dados pessoais, podendo solicitar que eles sejam deletados, que seja revogado um consentimento, que transfira dados para outro fornecedor de serviços, etc. Além disso, empresas que usam dados sem a autorização prévia de clientes para obter lucros, por exemplo, estão na contramão da governança e das aplicabilidades do ESG.

É por isso que ter uma política clara em relação à LGPD faz com que a empresa ganhe a confiança tanto do consumidor quanto dos investidores. Mostra as melhores práticas de governança de dados e de privacidade no tratamento de dados pessoais. 

Isso consta nos relatórios de sustentabilidade corporativa, com reflexos essenciais nas decisões de investimento.

E não para por ai, aspectos sociais promovidos pelos programas de governança de proteção de dados e privacidade também se enquadram nos outros pilares do ESG.

Alguns exemplos de adequação à LGPD são:

  • • Identificar os dados pessoais que a empresa coleta e as finalidades específicas que justificam o uso deles;
  • • Verificar a base legal adequada que fundamenta o tratamento dos dados pessoais;
  • • Indicar o Encarregado/DPO; atender às requisições e aos direitos dos titulares de dados;
  • • Aperfeiçoar suas medidas técnicas e operacionais de segurança da informação; adotar suas políticas de privacidade e de proteção de dados; adequar seus instrumentos contratuais, etc.

Como tornar uma empresa ESG?

Já falamos aqui sobre a importância do G dentro dos preceitos ESG. Então você já sabe que estar de acordo com a LGPD é um dos pontos essenciais para tornar a sua empresa ESG. Mas o índice engloba outros dois pilares, Meio ambiente e Social. 

Para adotar práticas de ESG é preciso também a adaptação da empresa a processos mais sustentáveis e práticas tradicionalmente ligadas à  Economia Circular (um conceito que associa desenvolvimento econômico a um melhor uso de recursos naturais), o que pode ser uma boa forma de atrair o público interessado no consumo consciente, uma tendência em todo mundo, que já é realidade.

É preciso que as empresas entendam que essa não é mais uma escolha, ESG trouxe uma mudança de paradigma que pode ser notada pela pressão dos fundos de investimento.

Um artigo da Havard Law School sobre a “Era ESG” reuniu algumas boas práticas do índice que você pode seguir na sua empresa:

  • • Engajamento proativo dos acionistas
  • • Foco aprimorado em sustentabilidade
  • • Construção de um conselho ‘adequado para o ESG’
  • • Aprimoramento da governança ESG interna
  • • Divulgação da sua história de sustentabilidade
  • • Olhar para o futuro

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