Os robôs terão que se ajustar também a Lei Geral de Proteção de Dados

Por Roberto Marcio

A Lei Geral de Proteção de Dados, conhecida como LGPD, entrou em vigor, após longo período de discussão no Congresso Nacional. A lei altera a forma como as empresas manipulam os dados dos seus clientes e cria uma série de regras. Além da regulamentação, detalhes técnicos importantes terão que ser ajustados para evitar dores de cabeça com o vazamento de informações cruciais, que podem, inclusive, colocar em xeque a imagem do seu negócio e prejuízos que custam caro.

O mundo está cada vez mais conectado e as pessoas já reconhecem a importância de seus dados não caírem em mãos erradas. Resultados inéditos do Unisys Security Index™ (USI) 2020, estudo anual conduzido globalmente realizado desde 2007 sobre as preocupações com segurança do consumidor, apontam que cerca de metade dos brasileiros confiam que a  LGPD venha a garantir um melhor sigilo de informações privadas. Segundo a pesquisa, 55% dos brasileiros disseram estar extremamente ou muito confiantes de que a lei trará avanços requeridos para proteger seus dados mantidos por organizações públicas e privadas.

Segundo dados do “Diagnóstico LGPD” – ferramenta desenvolvida pela ABES em parceria com a EY -, mais de 60% das empresas analisadas possuíam baixo grau de maturidade na conformidade com a nova lei. O dado é ainda mais preocupante ao passo que as empresas respondentes da pesquisa são aquelas que já estão à frente da maioria do mercado neste tema. 

Com a LGPD em vigor, o Brasil se juntará a mais de 120 países ao redor do mundo que possuem uma lei de proteção de dados parecida com o modelo europeu (GDPR). Sendo assim, o cuidado no trato das informações dos clientes é uma outra preocupação para as empresas. A lei vale também para quem faz o uso dos chatbots (os populares robôs) , já que este recurso está em moda em muitas corporações e é fundamental um treinamento humano para que a máquina faça o serviço 

Os bots desenvolvidos pelas empresas agora terão uma nova função: auxiliar os consumidores no tratamento de seus dados. Proporcionar uma nova experiência do usuário é objetivo do momento no Marketing de Relacionamento. E para proporcionar a melhor experiência os bots conversacionais estão sendo cada vez mais aprimorados com IA, o que amplia a sua importância. Só que essa experiência passará a ser aprimorada à medida que agora esse mecanismo já está sendo treinado para explicar aos consumidores as novas regras sobre estabelecer governança de banco de dados e garantir a privacidade. Isso reforça a percepção de que as empresas que já estavam se adaptando às novas tecnologias, leis de compliance e inteligência de mercado estão conduzindo melhor seus negócios durante a crise.

O mais interessante do aprendizado de máquina é que o software precisa ser capaz de aprender sem uma base de dados significativa por trás dele, pois ele vai criar esta base de dados para ser explorada por outras ferramentas de IA. Tudo isso, no entanto, será adaptado de acordo com o regime de normas da LGPD. Os bots, em geral, são desenvolvidos com base nos conceitos de privacy by design e privacy by default, conhecidos como privacidade por padrão, no qual o produto ou serviço deve conter as configurações de privacidade e o usuário libera o acesso a mais informações, caso seja necessário. Com certeza, essa relação homem/robô com a lei que está para entrar em vigor tem tudo para modificar o trato das regras de privacidade com os clientes.