Inteligência eleitoral para prevenir ataques às vésperas da eleição

Por Roberto Marcio

Faltam poucos dias para as eleições municipais. No dia 15, milhões de brasileiros vão determinar o destino de suas cidades para os próximos quatro anos, sendo assim aos poucos também se encerrará a campanha para prefeitos e vereadores. O que seria uma notícia alentadora para os que trabalham em campanhas, não é, pois existem perigos no horizonte, principalmente a popular Fake News, a mentira plantada em sites ou redes sociais usada para denegrir a imagem do postulante ao cargo público. Diante disso, para evitar surpresas desagradáveis às vésperas do pleito, o uso da inteligência de dados torna-se imprescindível e oferece uma solução também para onde dirigir sua ação política para vencer neste domingo.

Experiências internacionais e, até aqui no Brasil, demonstram que ataques massivos às vésperas da eleição são comumente usados na reta final da disputa, com objetivos voltados basicamente para atingir a reputação de um ou outro candidato. Não se trata aqui de um julgamento moral, de quem tem ou não o direito de se expressar de tal forma que, de alguma maneira, atinja a honra alheia. Vamos procurar compreender o alerta importante a ser dado às campanhas, com o objetivo de se prepararem para o que está por vir.Na realidade, ações covardes virtuais são uma praga que ameaça a credibilidade do sistema eleitoral e também da democracia, ou seja, há muito em jogo nesses dias que antecedem ao voto.




O Superior Tribunal Eleitoral, Ministério Público e Polícia Federal apresentaram, nos últimos meses, uma série de aparatos tecnológicos e rígidas leis para coibir delitos eleitorais. Aqueles, particularmente ligados a área cibernética mereceram uma atenção ainda maior a partir dos pleitos municipais. O temor de uma onda de fake news, plantadas durante o período – em especial nos dias que antecedem  a escolha dos novos prefeitos e vereadores – deixa a Polícia Federal pronta para impedir e identificar esses criminosos. Todos sabem que uma notícia falsa pode se espalhar com tanta rapidez que o estrago causado pode até se tornar irreversível. Para evitar isso, a inteligência eleitoral tem mecanismos para identificar o problema e lançar um contra ataque ou alguma ação para neutralizar o disparo de notícias falsas. A Inteligência Artificial pode ser uma boa aliada neste momento.

Como a IA pode contribuir para neutralizar uma Fake News?

Com a IA e mais uma equipe capaz de dissecar os dados extraídos de sites e redes sociais, através de um eficiente monitoramento, as chances de criar estratégias para impedir o avanço de fake news e apresentar uma pronta resposta são imensas. Assim que a notícia é detectada, o time que acompanha em tempo real o ocorrido pode reagir para aniquilar a notícia falsa que atinja um candidato. É bate pronto. 

A significativa diferença no mundo contemporâneo é que, com as redes sociais, a disseminação dessa informação maliciosa passou a ser mais rápida, mais fácil, mais barata e em escala exponencial. O uso da Internet como arma de manipulação do processo eleitoral dá vez à utilização sem limites das notícias falsas. Portanto, não há tempo a perder.

Na reta final da eleição, a IA identifica potenciais eleitores, mas ação tem limites

A IA não pode ser vista como um mecanismo eficiente com capacidade de descobrir a origem e a publicação de Fake News. Ela tem a capacidade de contribuir positivamente para algum candidato.

Pode ser usada de outras formas dentro do processo eleitoral. Inclusive, para identificar possíveis eleitores através de algoritmos. No entanto, seu uso está sujeito às normas eleitorais, a fim de evitar a prática de delitos e para tirar conclusões sobre o que está sendo falado na internet. Para elaborar uma estratégia assertiva, o recurso é essencial.  

É possível, por exemplo, mapear os perfis dos eleitores para além das divisões clássicas, analisando seus sentimentos e emoções para, com base nos resultados, alinhar campanhas, ideias e discursos. Aliás, a IA também é útil na análise de repercussões de falas feitas por políticos nas redes sociais, permitindo a mensuração de resultados – positivos ou negativos – e, assim, a alteração da abordagem, se necessário, nas próximas oportunidades.

Big Data e uma boa estratégia de comunicação: fatores a se considerar

Ter dados nas mãos não significa que você tem tudo. Um Big Data, claro, é fundamental porque forma a sua análise usando sistemas de software avançados, que realizam procedimentos analíticos rápidos e eficientes. Isso permite que quem a possui reduza o tempo de observação para a devida tomada de decisão, abandonando pilhas de relatórios e planilhas de Excel, só que não resolve toda a questão. 

Como, então, reagir a Fake News quando ela aparece perto de uma eleição?

O impacto da estratégia de comunicação nos resultados dos pleitos eleitorais se torna processo essencial para o sucesso das campanhas. Assim, da mesma forma que se adota um plano de ação, é bom contar com um mix de comunicadores do jornalismo e marketing como tratadores dos dados que aparecem. Eles são capazes de estudar os complexos fatores que implicam desde a apuração e neutralizar uma Fake News como conquistar mentes e corações pelas redes sociais, através de uma ação que contraponha ameaças a uma vitória nas urnas.

Pardal, o aplicativo oficial da Justiça Eleitoral, que recebe denúncias de delitos eleitorais

Como dicas importantes para aqueles que vão trabalhar na campanha eleitoral, um aliado estará a disposição de todos para denunciar delitos eleitorais. Desde o lançamento da versão atualizada, em 27 de setembro, o aplicativo Pardal permite que os cidadãos realizem denúncias de propaganda eleitoral irregular ou ilegal. 

O app também pode ser utilizado para noticiar outras infrações eleitorais, como compra de votos, crimes eleitorais e doações e gastos eleitorais irregulares.

A vitória num processo eleitoral precisa ser limpa e honesta. Portanto, o Pardal oferece um serviço que auxilia o cidadão a processar uma queixa de irregularidades que, posteriormente, serão analisadas e podem resultar em processo contra quem praticou atos maliciosos.

Em se tratando de notícia falsa ou com o objetivo de perturbar o processo eleitoral, as providências legais serão adotadas pelo Tribunal e demais órgãos da polícia judiciária e MP para identificar seus autores e instruir os procedimentos judiciais.

Saiba mais: https://www.folhavitoria.com.br/politica/blogs/guia-eleicoes-2020/2020/10/20/evento-no-es-debate-influencia-da-inteligencia-artificial-nas-eleicoes/, https://jornaldebrasilia.com.br/blogs-e-colunas/bsbtek/inteligencia-artificial/